Política

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Movimentos de renovação estudam projeto de lei para mudar funcionamento dos partidos

SÃO PAULO — Em reação à ameaça de punição de seus integrantes por legendas como PDT e PSB por terem votado a favor da reforma da Previdência , desrespeitando orientação de bancada, movimentos de renovação política estudam propor um projeto de lei com mudanças no funcionamento dos partidos. O grupo trabalha ainda na elaboração de um manifesto mais amplo, com quatro eixos: aumentar a democracia interna dos partidos, a transparência na gestão financeira, a integridade moral e a participação das mulheres.

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Tempo máximo de mandato para presidentes de partidos, proibição de comissões provisórias nas direções partidárias e obrigatoriedade de prévias estão entre as bandeiras defendidas por movimentos de renovação política e dão uma ideia do que pode vir nesse projeto de lei. O PDT , por exemplo, tem Carlos Lupi no comando do partido desde 2004 e vários de seus diretórios espalhados pelo país estão instalados de maneira provisória.

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ANÁLISE : Partidos e movimentos de renovação política vivem choque de ideias ainda sem solução

Depois de uma semana sob ataques de lideranças políticas, grupos como Agora! , Acredito e Livres decidiram que está descartada a criação de uma legenda própria e que vão insistir em medidas para tentar “modernizar” os partidos.

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Muitos de nós acreditam que é preciso mudanças legislativas. Um projeto de lei seria um dos caminhos de ação, mas ainda estamos discutindo isso — disse um dos coordenadores do Acredito, Felipe Oriá.

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A expectativa é que a proposta seja encampada por parlamentares dos movimentos no Congresso. O Agora! elegeu dois deputados, o mesmo número do Acredito, que também viu um senador chegar ao Congresso

Temos consciência de que fazer um apelo aos partidos para que sejam mais abertos não vai mudar muita coisa. Estamos trabalhando para entregar propostas concretas no manifesto — afirmou o coordenador do Agora!, Leandro Machado

PUBLICIDADE Direção partidária Na semana passada, PDT e PSB iniciaram procedimentos internos que podem culminar na expulsão dos deputados que votaram a favor da reforma da Previdência e, portanto, contra a orientação de bancada dos dois partidos. Foram 19 parlamentares — 8 do PDT e 11 do PSB — entre eles Tabata Amaral (PDT-SP), apontada como símbolo da renovação política em 2018. Ela faz parte do Acredito, do qual é co-fundadora, da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) e do RenovaBR. Veja quais deputados do PDT votaram contra a orientação do partido na reforma da Previdência Tábata Amaral, deputada eleita por São Paulo Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados Silvia Cristina, deputada eleita por Rondônia Foto: Arquivo pessoal Flávio Nogueira, deputado eleito pelo Piauí Foto: Reprodução /   Jesus Sérgio, deputado eleito pelo Acre Foto: Reprodução /   Gil Cutrim, deputado eleito pelo Maranhão Foto: Reprodução /   Pular PUBLICIDADE Marlon Santos, deputado eleito pelo Rio Grande do Sul Foto: Reprodução / Facebook Alex Santana, deputado eleito pela Bahia Foto: Reprodução / Reprodução Subtenente Gonzaga, deputado eleito por Minas Gerais Foto: André Coelho / Agência O Globo

Outro deputado egresso de movimentos de renovação que agora enfrenta um processo disciplinar pelo mesmo motivo é Felipe Rigoni (PSB-ES). Ele integra o Acredito

LEIA : PDT e PSB punem infiéis, mas poupam filiados que são réus na Justiça

Além da ofensiva interna, lideranças do PDT e do PSB fizeram ataques aos movimentos de renovação política de onde saíram esses deputados. Candidato derrotado do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT) disse que Tabata deveria deixar a sigla de forma espontânea porque está fazendo “dupla militância”. Já o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, referiu-se aos parlamentares como traidores

Para os movimentos cívicos, a atitude das duas siglas refletiu um destempero de “caciques” com a renovação. Os coordenadores do Agora! e do Acredito ressaltam que PDT e PSB assinaram carta-compromisso com os grupos em 2018, onde estava explícito que seus candidatos teriam independência de atuação

PUBLICIDADE — Estão tentando intimidar no grito. Eles sabiam das nossas bandeiras — disse Machado, do Agora!

Os grupos entendem que não devem criar uma sigla

Temos uma diversidade muito grande entre nós. Não há como construir um partido único — disse Oirá

Candidaturas avulsas O episódio retomou o debate das candidaturas avulsas, proibidas no país. Essa é uma das sugestões do RenovaBR, que se autodenomina uma escola de formação política, não um grupo voltado para a atuação, como o Agora! e o Acredito

— O caminho alternativo se bifurca em dois: criar a possibilidade de candidaturas independentes e de movimentos ou democratizar os partidos— disse o coordenador do RenovaBR, Eduardo Mufarej

Na semana passada a entidade reagiu em nota: “Quem não compreende a democracia em sua essência, pode imaginar que a política é atividade exclusiva de alguns. Não é”

Vai ajudar a separar o joio do trigo. Quem quer apenas uma parceria com os movimentos por oportunismo acho que vai pensar duas vezes agora — avaliou Oriá

(Colaborou Sergio Roxo)