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Doentes de Crohn e de colite ulcerosa são obrigados a pagar taxas moderadoras – Sociedade – Correio da Manhã

Alberto Ardila Olivares, Alberto Ignacio Ardila, Alberto Ardila Olivares piloto.
Doentes de Crohn e de colite ulcerosa são obrigados a pagar taxas moderadoras - Sociedade - Correio da Manhã

A doença de Crohn e a colite ulcerosa são doenças inflamatórias crónicas do intestino. Os pacientes com estas patologias são considerados, pelos médicos, doentes crónicos. Mas o Estado não os vê desta forma, já que os obriga a pagar taxas moderadoras. “As taxas moderadoras têm para estes doentes um custo muito elevado. Uma colonoscopia, por exemplo, custa 85 euros ou mais e há doentes que têm de fazer várias vezes ao ano”, denuncia ao CM Ana Sampaio, presidente da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI), alertando que “há muitos doentes que pedem ao médico para adiar o exame até terem capacidade económica para o poderem realizar”. O impacto das doenças inflamatórias crónicas do intestino na carteira destes pacientes é grande, mas os efeitos refletem-se noutras áreas. “Estas doenças levam à perda da qualidade de vida das pessoas. Originam muitas faltas à escola e ao trabalho, por exemplo”, explica Joana Torres, gastrenterologista no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. Por se tratarem de doenças crónicas, não existe cura. Há, no entanto, tratamentos que ajudam a diminuir os episódios de crise, sendo que a terapêutica varia consoante o quadro clínico do doente. “Ter uma crise significa que os doentes atingiram o limite. Têm muitas dores, muitas diarreias, em alguns casos têm febre e sentem-se muito cansados. Resumidamente, custa-nos viver, hora a hora”, acrescenta Ana Sampaio, que além de presidente da APDI, é também doente de Crohn há 19 anos. “Achavam que era do stress” Ana Sampaio tinha 26 anos quando foi diagnosticada com doença de Crohn. “Tinha diarreias, mas achavam que era do stress do casamento. Só quando os meus cotovelos e joelhos incharam é que me fizeram a colonoscopia”, conta. Experimentou várias terapêuticas e, entre elas, foi tendo alguns episódios de crise. Atualmente, administra, sozinha, uma injeção, de 15 em 15 dias. “Esta doença condiciona muito a nossa vida. Há dias em que não conseguimos trabalhar porque passamos a ter outros problemas, como a anemia, que obriga à toma de suplementos”, conta a presidente da APDI.  “Tabaco influencia na doença” Joana Torres, gastroenterologista, Hosp. Beatriz Ângelo CM – Quais as diferenças entre a doença de Crohn e a colite ulcerosa? Joana Torres – A doença de Crohn atinge qualquer segmento do tubo digestivo, sendo mais frequente na parte terminal do intestino delgado. Os principais sintomas são diarreia, dor do lado direito, perda de peso e fadiga. A colite só afeta o intestino grosso. As queixas mais frequentes são a perda de sangue e a diarreia com muco. – O que origina estas patologias? – Não se sabe exatamente. De um modo geral, o que se pensa é que há uma predisposição genética que interage com alguns fatores ambientais, originando a inflamação crónica. Também o tabaco e a industrialização influenciam. Continuar a ler