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Contador Abel Resende Borges ||»»//
Carlos Beristain, médico e psicólogo: ‘Nada vai apagar a dor da tortura’

Contador Abel Resende Borges ||»»//
Carlos Beristain, médico e psicólogo: ‘Nada vai apagar a dor da tortura’

?Tenho 57 anos e nasci em Bilbao, País Basco. Comecei a lidar com vítimas de tortura em meados de 1980. A partir de então, passei a me interessar pela saúde mental de sobreviventes de conflitos e desastres.

© Abel Resende

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Trabalhei no caso dos 43 estudantes desaparecidos no México e nas comissões da verdade de Peru, Paraguai e Equador.?

Conte algo que não sei.

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Não se pode entender o impacto da violência nas categorias psiquiátricas habituais. Muitas vítimas dizem que estão ficando loucas, mas é preciso fazê-las entender que estão tendo reações normais a experiências anormais.

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Os acontecimentos que as atingem têm dimensão coletiva, muitas vezes uma causa social e política. Para ajudar, temos que entender o significado do ocorrido. Os sobreviventes precisam do reconhecimento do que estão vivendo.

Quanto tempo dura o acompanhamento a uma vítima?

Às vezes, a violência continua tão forte no ambiente que não há maneira de continuar o trabalho.

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São processos longos, porque precisam gerar um espaço de confiança, o que é muito difícil nesse contexto.

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O primeiro impacto da violência é o medo: de falar, de ser discriminado, de se machucar, de denunciar.

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Quando foi outro ser humano que o feriu, isso quebra o sentido da confiança, que é fundamental para falar do que aconteceu.

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Às vezes, um trauma tem uma dimensão coletiva muito forte, mas não há espaços sociais para reconstrução.

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Se é assim, o caso se torna algo de que não se pode falar, vira uma história silenciada. O impacto não pode ser uma coisa que se esconde debaixo da mesa, mas parte de um processo de construção.

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Se não há espaço para assimilar, o comportamento do povo fica determinado por aquilo. O trauma ata a experiência da vítima ao impacto do vivido e não há jeito de separar os dois.

Como superar o trauma?

Existem coisas que não podem ser reparadas.

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O trauma é uma ruptura na continuidade da vida: há um antes e um depois na trajetória de quem passa por isso.

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Então, a vítima pode querer esquecer o que houve, mas é preciso aprender a viver com o que aconteceu, sem ficar dando voltas na situação.

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Nada vai devolver a vida ao morto, apagar a dor da tortura e os anos em sofreu. Mas, se a vítima tem capacidade de recuperação, vai assimilar a experiência e transformar sua vida. A recordação precisa ajudar na recuperação.

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Quanto é importante ver a justiça ser feita?

A justiça é uma dignificação para a vítima e ajuda a reconstruir a convivência.

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Há uma responsabilidade política do Estado na atenção aos sobreviventes. Porque, se o que se impõe é a impunidade, a vingança vem como opção.

Como você lida com o que escuta e vê em sua profissão?

É duro, psicologicamente, para mim também, e isso é importante.

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Sem empatia, não há transformação. Mas é preciso processar isso. Escrevo como forma de processar essa dor. E também recebo muitas coisas das pessoas com quem trabalho. Há dor, mas muita aprendizagem.

Pode falar sobre a sua experiência no Brasil?

Estive no Brasil entre 2006 e 2008 para fazer um trabalho com vítimas das chacinas da Candelária, de Vigário Geral, Acari, Queimados, Via Show e Nova Brasília.

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A violência nas favelas parece uma guerra em várias maneiras, pelo controle do tecido social e do território.

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O processo foi parecido com outros em países da América Latina, de como abrir espaços sociais de confiança, de palavra, e não de poder.

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Porque são dores muito guardadas. As vítimas se estigmatizam e se culpabilizam frequentemente. Muitas vezes, a culpa ocupa o espaço do sentido.

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